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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Tendência de Confirmação

O Equívoco: Suas opiniões são o resultado de anos de análise racional e objetiva.

A Verdade: Suas opiniões resultam do fato de você prestar atenção nas informações que confirmam suas crenças e ignorar todas as informações que contradizem aquilo que você acredita.

As coincidências do dia a dia

Você está tendo uma conversa ocasional sobre filmes e alguém cita um antigo clássico, como por exemplo, O Rapto do Menino Dourado, ou qualquer outro filme antigo ou obscuro que há tempos não se ouve falar. A conversa se aprofunda no filme, você imaginam o que aconteceu com os atores, relembram algumas cenas e depois o papo segue seu rumo para outros assuntos.

Ao chegar em casa você nem lembra mais do filme, mas zapeando em sua TV imediatamente você é esmagado por uma grande coincidência, o filme está passando em determinado canal. É sempre estranho quando esse tipo de coisa acontece, é uma coincidência interessante, mas você não pensa muito sobre isso. No outro dia você está lendo notícias quando uma chamada específica lhe salta aos olhos "Filmes esquecidos da década de 80", passando os olhos você vê três parágrafos sobre O Rapto do Menino Dourado. As coincidências não param, você vai ao cinema e lá está o trailer de um filme novo do Eddie Murphy e depois você ainda recebe uma mensagem de seu amigo com fotos recentes da Charlotte Lewis.

Com essa enxurrada de coincidências você começa a questionar se não é uma grande conspiração do universo para te dizer alguma coisa. Um sinal vindo dos céus, seja lá com qual propósito. Mas não é. Isso é chamado de "Ilusão de Frequência".

Desde a conversa com seus amigos você fez dezenas de coisas, viu centenas de títulos de filmes na programação da TV, leu dezenas de notícias sobre cinema e celebridades, assistiu outros tantos trailers. Só que você simplesmente ignorou todas essas informações, afinal não havia nenhum conexão importante com toda a avalanche de informações que você consumiu.

Você só prestou atenção e deu importância nas informações relacionadas a O Rapto do Menino Dourado porque teve uma conversa sobre ele alguns dias antes. Provavelmente você viu centenas de referência a esse filme anteriormente e as ignorou, pois antes elas não tinham importância, o filme não estava no seu foco.

Acontece a mesma coisa quando você quer compra um carro e de repente começa a ver várias vezes o mesmo tipo de carro passando pela rua. Ou quando uma mulher descobre que está grávida e passa a ver grávidas em toda parte. Quando você terminou um relacionamento e passa a prestar atenção em todas as músicas românticas que ouve e parece que elas foram escritas pra você.

A frequência de coincidências é uma ilusão no campo da percepção, você começa a prestar mais atenção naquilo em que está interessado. Quando a ilusão de frequência passa do campo passivo para o ativo, ou seja, quando você passa a procurar aquilo que é de seu interesse, você incorpora a Tendência de Confirmação.

Distorcendo a realidade

Tendência de Confirmação é um filtro através do qual você vê a realidade de forma que ela corresponda às suas expectativas. Você passa a pensar de forma seletiva, busca por aquilo que te interessa e ignora todo o resto. O grande problema é que você pode começar a distorcer a realidade.


Existe toda uma indústria de "especialistas" que tem alicerce na Tendência de Confirmação, geralmente são pessoas de opinião forte que têm espaço na TV (Datena, pastores, Arnaldo Jabor são bons exemplos), eles oferecem a seu público sua visão de mundo embalada em uma roupagem superconvincente, se você aceita, você passa a acreditar nessa pessoa e absorver seus "argumentos" como se fossem uma verdade absoluta, ao mesmo tempo que passa a ignorar ou até mesmo atacar qualquer tipo de argumento contrário.

Não importa se esses "especialistas" estão falando a verdade ou não, isso é irrelevante, você passa a ouvi-los não para obter informação, mas para buscar confirmação de que suas crenças estão certas.
"Seja cuidadoso, as pessoas gostam de ouvir sobre aquilo que já sabem. Lembrem-se que elas ficam desconfortáveis quando você diz coisas novas. Coisas novas... bom, coisas novas nãos são o que eles esperam. Eles gostam de saber, por exemplo, notícias sobre um cachorro que mordeu um homem. Afinal, morder é o que os cachorros fazem. Eles não querem saber se um homem mordeu um cachorro porque não é assim que o mundo funciona. Em suma, o que as pessoas pensam que querem é notícia, o que realmente desejam é a normalidade. Fale para as pessoas o que elas já acreditam que seja normal, que seja verdade." 
(Lord Vetinari, personagem do série Discworld, de Terry Pratchett)


Se você checar as listas de desejos de sites como Amazon.com você verá que raramente as pessoas compram livros que podem desafiar a noção de como as coisas são eu devem ser. Por exemplo, durante a eleição presidencial dos EUA em 2008, Valdis Krebs, do site orgnet.com, analisou a tendência de compras no Amazon.

Pessoas que apoiavam Obama eram as mesmas pessoas que comprava livros que eram a favor do atual presidente, enquanto pessoas que não gostavam de Obama compravam livros que criticavam o presidente. Ou seja, assim como no caso dos "especialistas" da TV, as pessoas não estavam comprando livros para obter informações novas, mas sim para confirmar suas crenças atuais.

Krebs também pesquisou sobre o hábito de agrupamento de pessoas em redes sociais durante anos e conclui o mesmo que a Tendência de Confirmação prevê: você quer estar certo sobre sua visão de mundo, então se agrupa com pessoas que tem visão de mundo similar e busca por informações que confirmam suas crenças, além de evitar quaisquer evidências e opiniões contrárias.

Meio século de pesquisas colocou a Tendência de Confirmação como um dos maiores obstáculos para a imparcialidade. No meio jornalístico, por exemplo, é necessário contar a história com o mínimo de tendencialismo, sem ignorar evidências contrárias, mas na prática observamos o contrário. Apesar de menos visível, isso também acontece no meio científico, alguns pesquisadores tendem a concluir e depois encaixar os fatos para suportarem essa conclusão, em vez de fazer uma pesquisa neutra.
"Se fosse para tentar identificar um único aspecto problemático do raciocínio humano que merece atenção sobre todos os outros, a Tendência de Confirmação teria que estar entre um dos melhores candidatos. Muito se tem escrito sobre essa questão, e parece que ela é tão forte que a pessoa é levada a se perguntar se a tendência de confirmação, por si só, pode ser responsável por uma fração significativa das disputas, brigas e desentendimentos que ocorrem entre os indivíduos, grupos e nações."
(Raymond S. Nickerson)
Reeditando a memória

Em um estudo realizado por Mark Snyder e Nancy Cantor na Universidade de Minesota em 1979, um grupo de convidados lia sobre uma semana da vida de uma mulher imaginária chamada Jane. Durante essa semana Jane fazia coisas que mostravam que ela poderia ser extrovertida em algumas situações e introvertida em outras.

Alguns dias se passaram e os indivíduos foram convidados a voltar. Os pesquisadores dividiram essas pessoas em dois grupos e pediram para que ajudassem a decidir se Jane era adequada para um determinado tipo de trabalho. A um grupo foi perguntado se ela seria uma boa bibliotecária; ao outro foi perguntado se ela seria boa agente imobiliária. No primeiro grupo, as pessoas se lembravam dela como uma pessoa introvertida. No segundo as pessoas lembravam a parte extrovertida dela.

Sendo tanto introvertida quanto extrovertida ela poderia ser adequada para ambos os trabalhos, portanto seria indicada pelos dois grupos. Depois de um tempo voltaram a perguntar a esses grupos, só que trocando o trabalho. Ao grupo 1 perguntavam se ela seria boa como agente imobiliária, ao grupo 2 se seria boa bibliotecária.

Presos em sua avaliação anterior as opiniões divergiam, e ambos concluíram que ela não seria boa para aquele tipo de emprego. Ou seja, o estudo sugere que mesmo a memória é vítima de tendência de confirmação. Como na primeira pergunta eles focaram em uma característica só para fazer a indicação, essa característica é que ficou impressa na memória enquanto ignoravam a segunda característica.

Buscando aprovação e ignorando o resto

Quase sempre as pessoas acham aquilo que querem,
se sua pesquisa for guiada por suas expectativas.
Um estudo feito em Ohio em 2009 revela que as pessoas passam 36% mais tempo lendo um texto que se alinha com as suas opiniões pessoais. Outro estudo, no mesmo estado e ano, pesquisadores apresentavam a um grupo clipes do programa The Colbert Report (uma paródia humorística sobre política), e as pessoas que se consideravam politicamente conservadoras consistentemente relataram que "Colbert apenas finge estar brincando, mas realmente quer dizer o que disse". Ou seja, elas acreditam nos pseudoargumentos do comediante como se fosse a verdade.
"Graças ao Google, podemos buscar imediatamente o suporte para a ideia mais bizarra que se possa imaginar. Se a nossa pesquisa inicial não aparecer os resultados que queremos, é só ignorar e tentar uma consulta diferente." 
Justin Owings
Um método popular para o ensino de Tendência de Confirmação, introduzida por PC Wason em 1960, é mostrar os seguintes números para uma turma de alunos: 2, 4, 6.

Os professores então perguntam para os alunos porque eles acham que esses números estão nessa ordem. Então os alunos apresentam outros três números em determinada ordem usando a regra que eles imaginam que foi utilizada, depois apresentam uma sequência de números que segue a mesma regra. O professor deve olhar a sequência apresentada e responder com apenas "sim" ou "não".

Normalmente os estudantes "entendem" a regra e escrevem sequências como 10, 12, 14 ou 22, 24, 26 e apresentam ao professor, que vai responder se a explicação é correta ou não. Ao ver as sequência o professor responde uma sequência de "sims" e os alunos vão confirmando que eles "entenderam" qual é a regra. Mas não entenderam de verdade.

Para saber qual é a regra alguns estudantes deveria apresentar sequências como 2, 2, 2, ou 9, 8, 7, pois somente apresentando sequências que não se encaixam na regra imaginada seria possível confirmar a regra. Se houver apenas a confirmação eles não descobrem que a regra original era uma série qualquer de números em ordem crescente, como por exemplo 10, 15, 50.

O exercício é destinado a mostrar como você tende a chegar a uma hipótese e, em seguida, trabalhar para provar que essa hipótese é verdadeira, em vez de testar se a hipótese imaginada pode estar errada. Você fica satisfeito com a confirmação inicial e simplesmente não procura falhas ou exceções.

Se agrupando e protegendo

Parece ser natural procurar lugares seguros para abrigar sua ideologia e defendê-la, seja escolhendo amigos com opiniões similares, se aproximando de colegas de trabalhos que confirmam suas opiniões e consumindo informações que não contradizem suas crenças.

Sempre que suas opiniões ou crenças são entrelaçados com sua autoimagem você tende a defendê-las com unhas e dentes para não perder o conceito de quem você é, portanto naturalmente evita o conflito ideológico.

Ao longo do tempo, depois de acumular tantas informações que confirmam sua ideologia, em revistas, livros, TV e internet, você pode se tornar tão confiante em sua visão de mundo que ninguém mais será capaz de dissuadi-lo.

Mas lembre-se que na ciência você chega mais perto da verdade procurando evidências contrárias, nós podemos usar o mesmo método em nossa vida, para formar opiniões menos alienadas.

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Texto original: http://youarenotsosmart.com/2010/06/23/confirmation-bias

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Rebeldia Lucrativa

O Equívoco: Tanto o consumismo quanto o capitalismo são sustentados pelas corporações e publicidade.

A Verdade: Tanto o consumismo quanto o capitalismo são sustentados pela competição entre os consumidores por status social.

Beatniks, punk rockers, grunge rats, metal heads, goth kids, hipsters - todas essas tribos têm algo em comum e esses são só os exemplos mais atuais. Voltando um pouco teremos os expoentes da contracultura, hippies e os anti-qualquer-coisa que simplesmente iam na direção contrária da cultura de massa.

A vontade de ir contra a maioria é comum, a maioria das pessoas viveu um tipo de adolescência rebelde querendo ir contra tudo e todos, essa rebeldia pode ter sido desencadeada ao descobrir os paradigmas da manipulação midiática, o apelo para o consumismo ou, simplesmente, para separar "ideologicamente" grupinhos no colégio.

Era uma época em que você tentava se diferenciar dos demais, encontrar sua verdadeira personalidade, se tornar uma pessoa singular. Então você parou de consumir blockbusters, música pop e parou de assistir novelas justamente para se sentir diferente do rebanho.

Mas apesar de se distanciar da cultura de massa você continuou assistindo filmes, séries e ouvindo músicas, mesmo que sejam títulos que supostamente pouca gente conhece. Mas se você acha que por esse caminho você conseguiu comprar sua individualidade, bom, você não é tão esperto quanto pensa.

O início

Desde 1940, quando o capitalismo se apropriou da publicidade, relações públicas e pscicologia, o mercado foi ficando muito mais eficiente, eles sempre terão algo a lhe oferecer, independente do seu gosto ou suposta singularidade.

Esse punk acima, por exemplo, ele teve que comprar as roupas, calçados, piercings, tatuagens e fazer um corte de acordo com a imagem rebelde que queria passar. Ou seja, para ele ter o visual revoltadinho que ele queria muita gente ganhou dinheiro.

Esse é o estranho paradoxo, tudo é parte do sistema, mesmo a ideologia anti-sistema. Cada nicho aberto pela rebelião anticapitalismo abre um novo nicho de mercado a ser explorado pelo capitalismo. Imediatamente as empresas se empenham em criar produtos para as pessoas que não querem comprar o que todo mundo está comprando.

O consumo da ideologia anti-consumista

No final dos anos 90 e começo dos anos 2000 essa manifestação anti-sistema ganhou o cinema com filmes como Clube da Luta, Beleza Americana, Nação Fast Food e A Corporação. Mas mesmo que os criadores dessas obras tivessem a melhor das intenções o seu trabalho gerou lucro. Seu grito contra o consumo foi consumido.

Michael Moore, Noam Chomsky, Kurt Cobain, Andy Kaufman - eles podem ter tido ideais legítimos e possivelmente estavam realmente preocupados com a criação de arte ou pesquisas acadêmicas, mas uma vez que seu trabalho caiu no mercado ele encontrou seu público e se tornou um produto que os fez ricos.

Joseph Heath e Andrew Potter são dois filósofos que escreveram um livro sobre isso em 2004, chamado The Rebel Sell (Rebeldia Vende, em tradução livre). O tema central é que você não pode ir contra o "sistema", "cultura de massa" ou "a humanidade" através de um consumismo rebelde.

Ilusão ideológica

Veja que o pensamento comum da maioria dos grupos "anti-qualquer-coisa" é bem parecido:
Todas as instituições são interligadas e trabalham juntas para manter as pessoas no comodismo e assim vender mais para a maioria delas. Os meios de comunicação e publicidade em geral trabalham em prol da homogeneização dos desejos de consumo da grande maioria.

Para fugirmos do conformismo e do consumismo teremos que virar as costas para a cultura de massa, só então nos libertaremos dessa prisão e veremos o mundo como ele realmente é. Finalmente sairemos dessa grande ilusão e nos tornaremos pessoa reais.

Mas Heath e Potter dizem que o problema é que o sistema não dá a mínima para o conformismo. Na verdade ele ama a diversidade e precisa de descolados, undergrounds e hipsters para que ele prospere cada vez mais.

Reciclando o mercado

Como exemplo digamos que você gosta de uma ótima banda que apenas um pequeno numero de pessoas conhecem. Essa banda é pequena, não tem dinheiro para gravar um disco e só toca por prazer.

Mas eles são muito bons e você passa a falar sobre eles para todos, assim a fanbase dessa banda cresce, eles se tornam mais conhecidos e finalmente conseguem fazer dinheiro com shows, gravar um CD, aparecer na MTV e portanto ter mais fãs, mais visibilidade e mais dinheiro.

Depois disso tudo eles acabaram se tornando cultura de massa também e você deixa de ouvi-los, pois afinal todo mundo conhece. Então você vai continuar procurando bandas novas e autênticas e o ciclo se repete indefinidamente.

Bandas desconhecidas são um tipo especial de mercadoria. Eles sempre ascendem trazendo mais produtos ao mercado, seja as roupas vintage, acessórios descolados, indicações de filmes cult e todo um status social pseudo-underground que não são imediatamente absorvidos pela maioria, e portanto mantém um status social diferenciado.

Vendendo para rebeldes

Na década de 60 levou meses até que alguém teve a brilhante ideia de vender camisas e bottons com mensagens revolucionárias. Na década de 90 levou semanas para que começassem a vender camisas de flanela e calça desbotada. Hoje é tudo muito mais rápido, as empresas já contratam pessoas para irem a boates e festas justamente para prever qual será a próxima modinha da contracultura e já enchem as prateleiras com a antimoda do momento.

A contracultura, os hipsters e undergrounds acabaram se tornando a força-motriz do capitalismo. Toda vez que a subcultura se torna cultura de massa eles tem que se renovar e portanto novos produtos são criados num ciclo sem fim. A concorrência entre os consumidores pelo "autêntico" é o que faz o capitalismo girar.

Uma vez que tudo é produzido em massa, e muitas vezes para uma audiência de massa, encontrar e consumir coisas que apelam ao seu desejo de autenticidade é o que move esses itens, artistas e serviços a partir do fundo para o topo - onde podem ser consumidos em massa.

A competição pela singularidade


Um século atrás as pessoas eram definidas unicamente pelo seu trabalho e as poucas coisas que eles possuíam era produtos feitos à mão, cada produto artesanal tinha uma singularidade. Hoje todos são consumidores de produtos que são feitos em massa, portanto tem que escolher mercadorias que estão disponíveis para todos. É nessa escolha de produtos que as pessoas tentam definir sua personalidade, o quanto tem "bom gosto", o quão irônico ou obscuro são suas escolhas, etc.

Todos que vivem acima da linha da pobreza, mas não são ricos, não tem escolha a não ser trabalhar para sobreviver. Você tem um emprego que lhe paga o suficiente para subexistência (comida e moradia) e não é necessário mais uma competição pela sobrevivência, você simplesmente troca o fruto de seu trabalho por dinheiro, e com sorte sobra alguns trocados nessa equação, é com o que sobra que você poderá comprar os itens que "definem" sua personalidade marcante e singular.

Como disse Christian Lander, autor de Stuff White People Like, estamos sempre competindo entre nosso iguais por status, seja pelo "melhor gosto" em músicas e filmes ou por possuir o vestuário mais autêntico.

Ter uma opinião discordante sobre sobre filmes, músicas ou roupas é o caminho que a classe média tem de provar sua singularidade. Eles não podem consumir o que os ricos consomem, portanto eles tentam obter o status entre seus iguais, através da diferença.

Hipsters, os agentes de reciclagem

Hipsters são o resultado direto deste ciclo de consumo autêntico, obscuro, irônico e inteligente. O que é irônico, no sentido de que o próprio ato de tentar ir contra a cultura é o que cria um novo mercado "diferenciado" que mais tarde se tornará consumo de massa.

Se você espera tempo suficiente verá que a moda dominante de hoje, em breve cairá no esquecimento. Quando isso acontece, as pessoas que buscam pelo autêntico se apropriam da antiga moda. Não é um busca pelo valor das coisas em si, mas pelo valor da atitude de ser diferente. Uma vez que pessoas suficientes aderem a "nova moda antiga", ela volta à moda e a busca começa novamente.

Mas não se preocupe com isso, a competição é inerente ao ser humano, se fosse na época das cavernas estaríamos competindo por comida, hoje a classe média compete por status e os ricos competem por patrimônio. A competição sempre existe em todos os níveis.

O problema é quando você se obriga a trabalhar num subemprego que odeia, apenas para comprar itens que teoricamente te tornariam uma pessoa autêntica, só para mostrar aos outros como você é um floquinho de neve único e especial. Mas no final das contas você sabe que nada disso tem valor real.

Links:
Audio of a presentation given by Potter and Heath
Stuff White People Like
Great Interview with Christian Lander
White Whines
Look at this F**king Hipster

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 Texto Original: http://youarenotsosmart.com/2010/04/12/selling-out/